May 27, 2026

Como é fazer endoscopia: passo a passo do exame

Fazer uma endoscopia digestiva pela primeira vez gera muitas dúvidas. Este guia detalha cada etapa do exame: o que fazer antes, como é o procedimento no centro médico, quanto tempo leva e o que esperar na recuperação. As informações foram organizadas a partir das perguntas mais frequentes de pacientes em Portugal e Brasil [1][2].

O que é a endoscopia e por que é feita

A endoscopia digestiva alta, também chamada de gastroscopia ou esofagogastroduodenoscopia, é um exame que permite ao médico visualizar o revestimento interno do esófago, do estômago e da primeira parte do intestino delgado (duodeno). Para isso, utiliza-se um endoscópio, que é um tubo flexível e fino com uma câmara na ponta, introduzido pela boca. O exame é indicado para investigar sintomas como dor abdominal, azia frequente, dificuldade de deglutição, náuseas recorrentes, sangramento digestivo ou anemia sem causa aparente. Também é usado para acompanhar doenças já diagnosticadas, como gastrite crónica, úlcera péptica ou esofagite de refluxo, e para realizar biópsias — remoção de pequenos fragmentos de tecido para análise laboratorial [2]. A endoscopia é considerada um dos exames mais importantes para identificar precocemente problemas no sistema digestivo, sendo rápida, segura e precisa quando realizada por profissional habilitado.

Como é o preparo antes do exame

O preparo adequado é essencial para que o médico consiga visualizar toda a mucosa do trato digestivo superior sem obstáculos. O passo mais importante é o jejum: em geral, é necessário ficar em jejum absoluto de alimentos e líquidos por um período de 6 a 8 horas antes do horário marcado. Isso significa que nem mesmo água pode ser ingerida nesse intervalo, pois qualquer conteúdo no estômago dificulta a visualização e aumenta o risco de aspiração (o conteúdo gástrico ir para os pulmões) durante o exame. Além do jejum, o médico deve ser informado sobre todos os medicamentos em uso contínuo, especialmente anticoagulantes, antiagregantes plaquetários e medicamentos para diabetes. Alguns desses fármacos precisam ter a dose ajustada ou ser suspensos dias antes do procedimento, sempre com orientação médica. Pacientes com alergias a medicamentos, especialmente a anestésicos ou látex, também devem comunicar previamente. Estudos sobre comunicação em saúde mostram que a orientação clara sobre o preparo reduz significativamente a ansiedade e aumenta a adesão do paciente [1]. É recomendado levar exames anteriores e a documentação do convênio ou do sistema de saúde.

O que acontece quando você chega ao hospital ou clínica

Ao chegar ao centro de endoscopia, o paciente passa pela recepção, onde são confirmados os dados pessoais e a documentação. Em seguida, é chamado para a sala de preparo, onde uma enfermeira verifica os sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigénio) e confirma o jejum. Nesse momento, o paciente assina o termo de consentimento informado, que explica os riscos e benefícios do procedimento. É comum que o médico responsável faça uma breve avaliação antes do exame, perguntando sobre os sintomas e confirmando as indicações. O paciente então troca de roupa, recebendo um camisola hospitalar, e remove acessórios como óculos, próteses dentárias removíveis, brincos e piercings, pois esses objetos podem interferir no exame ou ser perdidos durante o procedimento. Um acesso venoso (cateter) é colocado no dorso da mão ou no antebraço para a administração de medicamentos durante o exame. Toda essa etapa de recepção e preparo costuma levar de 20 a 40 minutos.

Como é feita a sedação na endoscopia

A grande maioria das endoscopias realizadas em Portugal e no Brasil é feita com sedação, o que significa que o paciente recebe medicamentos por via venosa para ficar relaxado e com diminuição do nível de consciência. O objetivo da sedação não é necessariamente que o paciente durma profundamente (como numa anestesia geral), mas sim que fique confortável e sem lembranças desagradáveis do procedimento. Os medicamentos mais utilizados são o propofol ou uma combinação de midazolam (um tranquilizante) com fentanil (um analgésico opioide). A escolha depende da experiência do médico anestesista ou endoscopista, das condições clínicas do paciente e da disponibilidade do serviço. Em alguns casos específicos, como em pacientes com risco elevado para sedação, o exame pode ser feito sem sedação, com aplicação de anestésico local na garganta na forma de spray. Nesses casos, o paciente permanece acordado e colaborativo, deglutindo o tubo quando orientado. A sedação é administrada pelo acesso venoso já preparado, e o paciente começa a sentir seus efeitos em segundos — uma sensação de sonolência e relaxamento.

Como é o exame passo a passo

Com o paciente sedado e deitado em decúbito lateral esquerdo (deitado de lado, com o lado esquerdo do corpo encostado na maca), o médico introduz o endoscópio pela boca. Um protetor de boca (mordedor) é colocado entre os dentes para evitar que o paciente morda o tubo flexível. O endoscópio é guiado pela faringe, passando pelo esófago até chegar ao estômago e, depois, ao duodeno. Durante a passagem, o médico insufla ar pelo endoscópio para distender as paredes do trato digestivo e permitir uma melhor visualização. A câmara na ponta do tubo transmite as imagens em tempo real para um monitor, onde o médico avalia a presença de lesões, inflamações, úlceras, varizes ou qualquer alteração na mucosa. Se necessário, o médico pode passar pinças pelo canal do endoscópio para retirar pequenos fragmentos de tecido (biópsia) ou para remover pólipos. A biópsia não causa dor e é um procedimento rotineiro. O exame em si dura em média de 5 a 15 minutos, podendo ser um pouco mais longo caso haja necessidade de biópsias ou tratamento de lesões [2]. Ao final, o médico retira o endoscópio cuidadosamente.

Quanto tempo dura a endoscopia no total

É importante distinguir o tempo do exame propriamente dito do tempo total gasto na unidade de saúde. O procedimento de visualização dura entre 5 e 15 minutos, como mencionado, mas o paciente deve calcular um período total de aproximadamente 1 a 3 horas no hospital ou clínica. Esse tempo extra inclui a recepção, a avaliação de enfermagem, a colocação do acesso venoso, o próprio exame e, principalmente, o período de recuperação pós-sedação. Após o exame, o paciente é levado para uma sala de recuperação onde fica sob observação até que o efeito dos medicamentos sedativos diminua suficiente para que ele possa conversar, caminhar com ajuda e ter os sinais vitais estáveis. Essa recuperação leva em média de 30 a 60 minutos, mas varia de pessoa para pessoa.

É possível sentir dor durante a endoscopia

Quando o exame é realizado com sedação adequada, o paciente não sente dor durante a endoscopia. O mais comum é que a pessoa não tenha qualquer lembrança do procedimento, acordando na sala de recuperação com a sensação de que pouco tempo passou. Nos casos em que o exame é feito sem sedação, apenas com anestésico tópico na garganta, o paciente pode sentir desconforto quando o tubo passa pela faringe — uma sensação de pressão, vontade de engolir ou leve náusea. No entanto, esse desconforto é geralmente tolerável e não é descrito como dor aguda. Após o exame, é normal sentir um leve incómodo na garganta, semelhante a uma dor de garganta leve, que costuma desaparecer em um a dois dias. Dor abdominal intensa após o exame não é esperada e, caso ocorra, deve ser comunicada imediatamente ao médico, pois pode sinalizar uma complicação, embora estas sejam raras.

O que você sente ao acordar do exame

Ao acordar na sala de recuperação, é comum sentir-se sonolento, um pouco desorientado e com a boca seca. Esses efeitos são normais e resultam dos medicamentos sedativos administrados. A garganta pode estar levemente irritada, com sensação de arranhão ou rouquidão temporária. Alguns pacientes referem sentir um leve inchaço abdominal por causa do ar insuflado durante o exame — esse ar é expelido naturalmente através de arrotos nos minutos ou horas seguintes. A equipe de enfermagem oferece água ou suco após verificar que o paciente está conseguindo deglutir sem dificuldade. É importante não se apressar em levantar; o paciente deve esperar a liberação formal da enfermeira ou do médico, que avalia se os sinais vitais estão estáveis e se o paciente está sufficiently alerta para ir embora.

Como é a recuperação em casa após a endoscopia

A recuperação em casa é geralmente simples e rápida, mas exige alguns cuidados importantes. Como os efeitos da sedação podem persistir por até 24 horas, o paciente não deve dirigir, operar máquinas ou tomar decisões importantes no dia do exame. É obrigatório que um adulto responsável acompanhe o paciente na alta e o leve para casa. A alimentação deve ser retomada progressivamente: começando com líquidos frios ou à temperatura ambiente (água, suco, chá), passando para alimentos pastosos e, se não houver náuseas, para uma refeição leve e macia. Alimentos muito quentes, picantes, ácidos ou gordurosos devem ser evitados nas primeiras 24 horas para não irritar a garganta e o estômago ainda sensível. O paciente deve descansar pelo resto do dia e evitar esforço físico. A rouquidão e o leve desconforto na garganta podem ser aliviados com gargarejos de água morna com sal. Se foi realizada biópsia, o resultado costuma ficar pronto em alguns dias a uma semana, e o médico marcará uma consulta de retorno para discutir os achados.

Quem não pode fazer endoscopia

Embora a endoscopia seja um exame seguro, existem situações em que ela pode ser contraindicada ou precisar de adaptações especiais. Pacientes com instabilidade hemodinâmica grave (como choque), suspeita de perfuração de víscera oca ou infecção grave ativa podem ter o exame adiado até estabilização. Pessoas com dificuldade extrema de intubação, como aquelas com deformidades cervicais severas ou tumores que obstruem a via aérea, podem necessitar de abordagem diferente. O uso de anticoagulantes precisa ser avaliado com antecedência, pois a realização de biópsias com o paciente anticoagulado aumenta o risco de sangramento. Grávidas podem fazer endoscopia se estritamente necessária, com adaptações na sedação e no posicionamento. Em todos esses casos, o médico avaliador determina o risco-benefício individualmente e pode propor exames alternativos, como a cápsula endoscópica, quando apropriado.

Resumo das etapas da endoscopia

A tabela abaixo resume as principais etapas do exame, o que acontece em cada uma e o tempo aproximado envolvido:

Etapa O que acontece Tempo aproximado
Chegada e recepção Confirmação de dados e documentação 5 a 10 minutos
Preparo Sinais vitais, acesso venoso, consentimento 15 a 30 minutos
Sedação Administração de medicamentos pela veia 1 a 3 minutos
Exame Introdução do endoscópio, visualização e biópsias se necessário 5 a 15 minutos
Recuperação Observação até estabilidade dos sinais vitais e alerta 30 a 60 minutos
Alta Liberação médica, orientações pós-exame, entrega de relatório 5 a 10 minutos

FAQ — Perguntas frequentes sobre como é fazer endoscopia

Endoscopia dói muito?
Não. Com sedação, o paciente não sente dor e geralmente não lembra de nada. Sem sedação, pode haver desconforto na garganta, mas não dor intensa.

Posso comer antes da endoscopia?
Não. O jejum de 6 a 8 horas é obrigatório, incluindo água. Qualquer ingestão pode levar ao cancelamento do exame por segurança.

Posso ir sozinho fazer endoscopia?
Não é recomendado e muitos serviços não permitem. Como há sedação, é obrigatório ter um adulto responsável para acompanhar na alta e levar o paciente para casa.

Quanto tempo depois da endoscopia posso dirigir?
O paciente não deve dirigir nas 24 horas seguintes ao exame, mesmo que se sinta bem. Os efeitos residuais da sedação podem prejudicar os reflexos.

Endoscopia e colonoscopia são a mesma coisa?
Não. A endoscopia avalia a parte alta do trato digestivo (esófago, estômago e duodeno) pela boca. A colonoscopia avalia o intestino grosso pelo ânus. São exames diferentes com preparos distintos.

Se o médico encontrar um pólipo, pode retirar na hora?
Sim. O endoscópio possui canais de trabalho que permitem a passagem de pinças e alças para remover pólipos durante o mesmo exame, sem necessidade de cirurgia.

Fontes

[1] MCT Barbosa et al. (2021). Comunicação via mídias sociais como tecnologia leve no preparo para o exame de endoscopia digestiva. Revista Saúde Digital. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/download/13854/12369/179647

[2] Vídeo explicativo sobre como funciona o procedimento de endoscopia e quando é indicado. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6NipbF4V5aQ

[3] AnswerThePublic — Ferramenta de pesquisa de palavras-chave e perguntas reais dos usuários. Disponível em: https://answerthepublic.com/pt