
Fazer compostagem na varanda é possível e dá menos trabalho do que parece: basta uma caixa opaca com tampa, os restos de fruta e legumes da cozinha e material seco para cobrir cada camada. O guia dos SMAS de Sintra recomenda quantidades iguais de verdes e castanhos, e seguindo essa regra o composto fica pronto para os vasos em poucos meses, sem cheiros nem visitas indesejadas. Este guia mostra como montar o compostor em cinco passos, o que pode e não pode lá entrar e como resolver os problemas mais comuns num apartamento.
O que precisa para começar
Um compostor de varanda cabe em qualquer sacada ou até num patim de escada protegido. O material é barato e quase todo reaproveitado:
- Uma caixa de plástico opaca de 20 a 40 litros com tampa que feche bem;
- Uma bacia rasa ou um prato grande para recolher o líquido (chorume) que escorre pelos furos do fundo;
- Terra de jardim ou composto pronto — uma mão cheia chega para introduzir os microrganismos que iniciam a decomposição;
- Material castanho em stock: folhas secas, cartão ondulado picado, serradura ou palha;
- Um balde pequeno com tampa na cozinha para acumular os restos antes de os levar para a varanda.
Escolha um local em meia-sombra e abrigado do vento, nunca a pleno sol durante todo o dia, porque o calor excessivo resseca a massa e trav a decomposição. A caixa pode ficar encostada a uma parede ou num canto do chão da varanda; o essencial é que a tampa fique sempre fechada para impedir a entrada de chuva, moscas e outros animais. Como a caixa não está em contacto com a terra, a bacia de recolha cumpre o papel de drenagem que, ao ar livre, seria feito pelo próprio solo.
Montar o compostor em 5 passos
- Fure o fundo e as laterais superiores da caixa com uma broca fina: os furos de baixo deixam escorrer o excesso de água e os de cima deixam o ar circular;
- Forre o fundo com ramos grossos ou pedaços de cartão enrolado, de forma solta — esta camada promove o arejamento e impede a compactação dos resíduos;
- Adicione a camada inicial de castanhos com 5 a 10 cm de espessura no fundo da caixa — é o leito onde a decomposição arranca;
- Junte, no máximo, uma mão cheia de terra ou de composto pronto: traz os microrganismos necessários e acelera o arranque do processo;
- Alterne camadas de verdes e castanhos à medida que os restos vão aparecendo, regue levemente cada camada e feche sempre com castanhos por cima.
A humidade certa controla-se com o teste da esponja: aperte um punhado de composto na mão — deve ficar húmido, mas sem pingar. Se pingar, falta material seco; se a mão sair limpa e seca, falta água.
Verdes e castanhos: o equilíbrio certo
Os resíduos dividem-se em dois grupos: os verdes, húmidos e ricos em azoto, e os castanhos, secos e ricos em carbono. A tabela resume o que entra e o que fica de fora:
| Verdes (azoto) | Castanhos (carbono) | Nunca colocar |
|---|---|---|
| Restos de fruta e legumes crus | Folhas secas | Carne, peixe e marisco |
| Borras de café e filtros de papel | Cartão ondulado picado | Queijo, leite e gorduras |
| Cascas de ovo esmagadas | Serradura e palha | Comida cozinhada temperada |
| Folhas de saquetas de chá sem agrafos | Relva cortada já seca | Excrementos de animais |
Sobre a proporção existem duas recomendações: o guia português dos SMAS de Sintra aponta para partes iguais de verdes e castanhos, enquanto a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) recomenda dois a três volumes de castanhos por cada volume de verdes, precisamente para prevenir odores. Numa caixa pequena, a regra prática que reconcilia as duas é simples: nunca deixar restos frescos à vista, cobrindo-os sempre com material seco.
Na prática, carne, peixe, laticínios e gorduras nunca entram no compostor doméstico: atraem ratos e moscas e decompõem-se mal às temperaturas que uma caixa caseira atinge. Restos de pão e comida cozinhada sem gordura só entram em pouca quantidade e sempre tapados com terra ou castanhos. Pela mesma razão, resíduos de plantas tratadas com herbicidas ficam de fora.
Manutenção sem cheiros nem moscas
Remexa o conteúdo uma vez por semana com uma pá de jardim pequena: o oxigénio acelera a decomposição e elimina os maus odores, que só aparecem quando a massa compacta. Um compostor ativo esquenta sozinho com a atividade dos microrganismos — a temperatura ideal situa-se entre os 40 °C e os 65 °C no centro da massa; se a caixa estiver morna ao toque, o processo está a funcionar. A lista seguinte resolve os problemas mais comuns:
- Cheiro a podre: excesso de humidade — junte castanhos e remexa tudo;
- Cheiro a amoníaco: excesso de verdes — cubra com mais material seco;
- Moscas à volta da caixa: verifique a tampa e cubra os verdes com castanhos;
- Processo parado e massa seca: regue até à consistência de esponja espremida e remexa;
- Chorume em excesso na bacia: misture cartão picado e confirme os furos de drenagem.
Para regar, aproveite a água da lavagem de fruta e legumes — o mesmo princípio de quem procura poupar na conta da água em casa, já que a compostagem mal feita é, quase sempre, uma questão de humidade desregulada.
Quando o composto está pronto
Numa caixa bem mantida, o composto fica pronto entre três e cinco meses. Os sinais são claros: cor castanho-escura, textura solta, cheiro a terra húmida de floresta e ausência de restos reconhecíveis. Peneire o material com uma peneira de cozinha e devolva à caixa os pedaços que ainda não se decompuseram, para entrarem num novo ciclo. Para vasos, floreiras e sementeiras, a proporção recomendada é uma parte de composto para duas partes de terra — mais concentrado do que isto pode queimar raízes novas.
Quem não tem qualquer espaço exterior pode avançar para a vermicompostagem com minhocas vermelhas, porque funciona dentro de casa e ocupa pouco espaço: uma caixa baixa com tampa transforma os restos da cozinha num corretivo orgânico de excelente qualidade, sem cheiro se bem gerida.
E tal como na limpeza da coziena, onde existem soluções sem químicos para desentupir o lava-loiça, no compostor os produtos de limpeza, cinzas e beatas também ficam de fora — só entra o que a natureza consegue decompor.