
Fazer a nova identidade do Brasil significa pedir a Carteira de Identidade Nacional, a CIN, o documento que substitui o RG. O caminho curto tem seis etapas: reunir a certidão de nascimento ou de casamento, confirmar que o CPF está ativo, agendar o atendimento no Instituto de Identificação do seu estado, comparecer para a fotografia, a assinatura e as impressões digitais, retirar o documento físico e, por fim, ativar a versão digital na aplicação gov.br. Este guia mostra como fazer identidade do início ao fim, com a lista de documentos, o roteiro do agendamento e os erros que mais atrasam a entrega.
A Carteira de Identidade Nacional substitui o antigo RG e passa a usar o CPF como número único de identificação, o que elimina duplicidades e reduz erros nos registos civis, explica o portal do Governo Digital. O documento existe em papel, em cartão e em formato digital, é válido em todo o território nacional e também nos países do Mercosul. Quem ainda tem RG válido não precisa de correr com a troca: a transição é gradual e o documento antigo continua aceito durante o período previsto na regulamentação.
O que é a CIN
A CIN é o novo padrão de identificação civil das brasileiras e dos brasileiros. Além de unificar o número de identificação com o CPF, o documento incorpora elementos modernos de segurança, como um QR Code que permite validar os dados, e integra os registos num sistema nacional único, o que permite que órgãos diferentes trabalhem com a mesma informação. A carteira também serve de porta de entrada para serviços públicos e programas sociais e reforça a segurança da conta gov.br, ao facilitar o acesso a um nível de conta mais alto na plataforma federal.
O calendário oficial define prazos diferentes consoante a situação de cada pessoa: para quem não tem cadastro biométrico em base oficial a CIN passa a ser obrigatória a partir de janeiro de 2027, enquanto quem já tem cadastro biométrico passa a depender dela a partir de janeiro de 2028, como o eleitor que vota com a digital ou o condutor registado na base da habilitação. Estes marcos constam da página oficial da Carteira de Identidade Nacional no Gov.br e explicam por que razão os postos de identificação têm reforçado os agendamentos.
Preparar os documentos exigidos
A CIN é expedida para brasileiros natos ou naturalizados e para portugueses com igualdade de direitos, conforme descreve a Polícia Civil do Paraná, que publica um dos guias estaduais mais completos sobre o tema. Antes de agendar, confirme qual é a sua situação e reúna o documento de base correspondente. A tabela resume o essencial:
| Situação | Documento de base | Verificação antes de avançar |
|---|---|---|
| Primeira via, brasileiro nato | Certidão de nascimento | Nome e filiação coincidem com o CPF |
| Casamento ou alteração de estado civil | Certidão de casamento | Estado civil igual ao indicado no pedido |
| Brasileiro naturalizado | Certificado de naturalização | Original e cópia simples ou publicação em diário oficial |
| Renovação ou segunda via | CIN ou RG anterior | Documento antigo em condições de ser conferido |
Além do documento de base, leve consigo um documento oficial com foto que ainda tenha, mesmo que seja o RG antigo, e confirme a situação cadastral do CPF antes de marcar o atendimento. Um CPF com pendências obriga a resolver a pendência primeiro e faz perder o horário agendado. Se a certidão estiver muito danificada ou com nomes escritos de forma diferente do registo fiscal, peça uma segunda via antes de avançar.
Agendar a emissão no posto
Segundo o Gov.br, a emissão do documento é agendada nos Institutos de Identificação dos estados e do Distrito Federal, e quem pede a primeira via precisa levar a certidão de nascimento ou de casamento. Os mesmos institutos promovem periodicamente mutirões de cidadania para emissão da carteira, uma alternativa quando os horários regulares estão esgotados.
- Consulte a situação cadastral do CPF e resolva qualquer pendência antes de marcar.
- Abra a página oficial da CIN no Gov.br e escolha o link de agendamento do seu estado.
- Selecione o posto de atendimento, o dia e a hora disponíveis.
- Preencha os dados exatamente como constam na certidão: nome completo, filiação e estado civil.
- Guarde o número de protocolo e o comprovativo do agendamento.
- Se precisar de remarcar, cancele o horário no próprio sistema de agendamento antes da data marcada e escolha outro.
Antes de sair de casa, passe nesta lista de verificação:
- Certidão original de nascimento ou de casamento.
- Protocolo do agendamento impresso ou guardado no telemóvel.
- CPF ativo e sem pendências.
- RG ou outro documento oficial com foto, se já tiver.
- Comprovativo do posto, dia e hora marcados.
Concluir a emissão presencial
No dia do atendimento, o posto recolhe a fotografia, a assinatura e as impressões digitais, e o pedido entra em produção. A primeira via da CIN é gratuita, pelo que desconfie de qualquer intermediário que cobre pelo agendamento ou pela emissão em si. O documento final inclui um QR Code que pode ser lido pela aplicação oficial de validação, disponível nas lojas de aplicações, para confirmar a autenticidade dos dados.
Na retirada, as regras variam com a idade do titular: maiores de 18 anos podem retirar pessoalmente ou através de procurador com documento específico e firma reconhecida; entre 16 e 18 anos, o titular, o pai, a mãe ou o tutor; abaixo dos 16 anos, apenas os responsáveis. A carteira fica disponível para retirada durante dois anos e não é possível pedir uma nova CIN, em qualquer estado, enquanto existir uma aguardando retirada. Se perdeu ou extraviou o documento já emitido, registre o boletim de ocorrência antes de pedir a segunda via.
Quem mora fora do Brasil também tem caminho: brasileiros residentes no exterior contam com um projeto piloto de emissão no Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, com agendamento feito pela PCDF, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, conforme a página do consulado em Lisboa. As vagas são limitadas e abertas por períodos, o serviço não passa pela plataforma E-Consular e o requerente precisa de CPF ativo e de certidão que comprove o estado civil.
Ativar a versão digital
A versão digital não substitui o processo presencial: ela nasce dele. Segundo o guia da Polícia Civil do Paraná, para obter a versão digital da CIN é preciso primeiro receber o modelo físico do documento e ter uma conta gov.br, na qual o documento digital é adicionado na aplicação. O percurso depois da retirada é simples:
- Instale a aplicação oficial gov.br e entre com a sua conta.
- Confirme que a via física já foi retirada e que os dados estão corretos.
- Adicione a CIN na área de documentos da aplicação.
- Teste a leitura do QR Code com a aplicação oficial de validação.
Se vive em Portugal e também usa serviços públicos portugueses, o hábito de autenticação digital é semelhante ao da Chave Móvel Digital: veja como usar a Chave Móvel Digital passo a passo ou o guia 3 passos para ativar a Chave Móvel Digital online para preparar o acesso a portais portugueses com o telemóvel e um código temporário.
Erros comuns a evitar
- Agendar sem a certidão em mãos: o posto pede o documento original e recusa cópias simples em nome próprio.
- Deixar pendências no CPF: a irregularidade bloqueia o pedido e faz perder o horário.
- Tentar a versão digital antes da física: a CIN digital só existe depois da emissão presencial.
- Pagar por agendamento ou emissão da primeira via: o serviço oficial é gratuito.
- Marcar nova solicitação com uma CIN ainda por retirar: o sistema recusa pedidos em duplicação.