Agosto 18, 2026

Como fazer identidade nova no Brasil: 6 passos da CIN

Cidadão entrega uma certidão num balcão de atendimento para pedir a Carteira de Identidade Nacional brasileira

Fazer a nova identidade do Brasil significa pedir a Carteira de Identidade Nacional, a CIN, o documento que substitui o RG. O caminho curto tem seis etapas: reunir a certidão de nascimento ou de casamento, confirmar que o CPF está ativo, agendar o atendimento no Instituto de Identificação do seu estado, comparecer para a fotografia, a assinatura e as impressões digitais, retirar o documento físico e, por fim, ativar a versão digital na aplicação gov.br. Este guia mostra como fazer identidade do início ao fim, com a lista de documentos, o roteiro do agendamento e os erros que mais atrasam a entrega.

A Carteira de Identidade Nacional substitui o antigo RG e passa a usar o CPF como número único de identificação, o que elimina duplicidades e reduz erros nos registos civis, explica o portal do Governo Digital. O documento existe em papel, em cartão e em formato digital, é válido em todo o território nacional e também nos países do Mercosul. Quem ainda tem RG válido não precisa de correr com a troca: a transição é gradual e o documento antigo continua aceito durante o período previsto na regulamentação.

O que é a CIN

A CIN é o novo padrão de identificação civil das brasileiras e dos brasileiros. Além de unificar o número de identificação com o CPF, o documento incorpora elementos modernos de segurança, como um QR Code que permite validar os dados, e integra os registos num sistema nacional único, o que permite que órgãos diferentes trabalhem com a mesma informação. A carteira também serve de porta de entrada para serviços públicos e programas sociais e reforça a segurança da conta gov.br, ao facilitar o acesso a um nível de conta mais alto na plataforma federal.

O calendário oficial define prazos diferentes consoante a situação de cada pessoa: para quem não tem cadastro biométrico em base oficial a CIN passa a ser obrigatória a partir de janeiro de 2027, enquanto quem já tem cadastro biométrico passa a depender dela a partir de janeiro de 2028, como o eleitor que vota com a digital ou o condutor registado na base da habilitação. Estes marcos constam da página oficial da Carteira de Identidade Nacional no Gov.br e explicam por que razão os postos de identificação têm reforçado os agendamentos.

Preparar os documentos exigidos

A CIN é expedida para brasileiros natos ou naturalizados e para portugueses com igualdade de direitos, conforme descreve a Polícia Civil do Paraná, que publica um dos guias estaduais mais completos sobre o tema. Antes de agendar, confirme qual é a sua situação e reúna o documento de base correspondente. A tabela resume o essencial:

Situação Documento de base Verificação antes de avançar
Primeira via, brasileiro nato Certidão de nascimento Nome e filiação coincidem com o CPF
Casamento ou alteração de estado civil Certidão de casamento Estado civil igual ao indicado no pedido
Brasileiro naturalizado Certificado de naturalização Original e cópia simples ou publicação em diário oficial
Renovação ou segunda via CIN ou RG anterior Documento antigo em condições de ser conferido

Além do documento de base, leve consigo um documento oficial com foto que ainda tenha, mesmo que seja o RG antigo, e confirme a situação cadastral do CPF antes de marcar o atendimento. Um CPF com pendências obriga a resolver a pendência primeiro e faz perder o horário agendado. Se a certidão estiver muito danificada ou com nomes escritos de forma diferente do registo fiscal, peça uma segunda via antes de avançar.

Agendar a emissão no posto

Segundo o Gov.br, a emissão do documento é agendada nos Institutos de Identificação dos estados e do Distrito Federal, e quem pede a primeira via precisa levar a certidão de nascimento ou de casamento. Os mesmos institutos promovem periodicamente mutirões de cidadania para emissão da carteira, uma alternativa quando os horários regulares estão esgotados.

  1. Consulte a situação cadastral do CPF e resolva qualquer pendência antes de marcar.
  2. Abra a página oficial da CIN no Gov.br e escolha o link de agendamento do seu estado.
  3. Selecione o posto de atendimento, o dia e a hora disponíveis.
  4. Preencha os dados exatamente como constam na certidão: nome completo, filiação e estado civil.
  5. Guarde o número de protocolo e o comprovativo do agendamento.
  6. Se precisar de remarcar, cancele o horário no próprio sistema de agendamento antes da data marcada e escolha outro.

Antes de sair de casa, passe nesta lista de verificação:

  • Certidão original de nascimento ou de casamento.
  • Protocolo do agendamento impresso ou guardado no telemóvel.
  • CPF ativo e sem pendências.
  • RG ou outro documento oficial com foto, se já tiver.
  • Comprovativo do posto, dia e hora marcados.

Concluir a emissão presencial

No dia do atendimento, o posto recolhe a fotografia, a assinatura e as impressões digitais, e o pedido entra em produção. A primeira via da CIN é gratuita, pelo que desconfie de qualquer intermediário que cobre pelo agendamento ou pela emissão em si. O documento final inclui um QR Code que pode ser lido pela aplicação oficial de validação, disponível nas lojas de aplicações, para confirmar a autenticidade dos dados.

Na retirada, as regras variam com a idade do titular: maiores de 18 anos podem retirar pessoalmente ou através de procurador com documento específico e firma reconhecida; entre 16 e 18 anos, o titular, o pai, a mãe ou o tutor; abaixo dos 16 anos, apenas os responsáveis. A carteira fica disponível para retirada durante dois anos e não é possível pedir uma nova CIN, em qualquer estado, enquanto existir uma aguardando retirada. Se perdeu ou extraviou o documento já emitido, registre o boletim de ocorrência antes de pedir a segunda via.

Quem mora fora do Brasil também tem caminho: brasileiros residentes no exterior contam com um projeto piloto de emissão no Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, com agendamento feito pela PCDF, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, conforme a página do consulado em Lisboa. As vagas são limitadas e abertas por períodos, o serviço não passa pela plataforma E-Consular e o requerente precisa de CPF ativo e de certidão que comprove o estado civil.

Ativar a versão digital

A versão digital não substitui o processo presencial: ela nasce dele. Segundo o guia da Polícia Civil do Paraná, para obter a versão digital da CIN é preciso primeiro receber o modelo físico do documento e ter uma conta gov.br, na qual o documento digital é adicionado na aplicação. O percurso depois da retirada é simples:

  1. Instale a aplicação oficial gov.br e entre com a sua conta.
  2. Confirme que a via física já foi retirada e que os dados estão corretos.
  3. Adicione a CIN na área de documentos da aplicação.
  4. Teste a leitura do QR Code com a aplicação oficial de validação.

Se vive em Portugal e também usa serviços públicos portugueses, o hábito de autenticação digital é semelhante ao da Chave Móvel Digital: veja como usar a Chave Móvel Digital passo a passo ou o guia 3 passos para ativar a Chave Móvel Digital online para preparar o acesso a portais portugueses com o telemóvel e um código temporário.

Erros comuns a evitar

  • Agendar sem a certidão em mãos: o posto pede o documento original e recusa cópias simples em nome próprio.
  • Deixar pendências no CPF: a irregularidade bloqueia o pedido e faz perder o horário.
  • Tentar a versão digital antes da física: a CIN digital só existe depois da emissão presencial.
  • Pagar por agendamento ou emissão da primeira via: o serviço oficial é gratuito.
  • Marcar nova solicitação com uma CIN ainda por retirar: o sistema recusa pedidos em duplicação.

Fontes